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Islândia: Acampamento de ação contra a indústria pesada 12 de julho 2008
Jornada internacional contra as corporações multinacionais apoiadas pelo gobernó local, que estão investindo nos recursos hídricos da Islândia, com a construção de barragens gigantescas, a ponto de produzirem uma catástrofe ambiental de proporções inigualáveis, destruindo regiões de uma beleza única, com características botânicas, geológicas, biológicas e ecológicas de importancia cientifica universal.
A campanha "Salve a Islândia", depois de outros dois acampamentos de ação em 2005 e 2006 e 2007, este último nas terras já inundadas de Káhrahnjúkar e contra a represa e a fábrica de alumínio Alcoa em Reydafjordur, volta à carga para deter a destruição dos ecossistemas islandeses pela industrialização capitalista.
Todavia existem outros diversos planos para a construção de mais represas, centrais de energia, fábricas de alumínio e para muitas outras formas de industrialização corporativa que vêem a Islândia, com todas suas posibilidades geotérmicas e ambientais, como uma nova região a ser explorada para retirar benefícios graças à aliança destas empresas com o governo, sem se importarem com os ecossistemas naturais (em alguns casos virgens) da ilha.
O acampamento de protesto será um ponto de reunião de ativistas de todas as partes do mundo e de lugares afetados pela fábrica de alumínio. Parar a destruição ecológica do último país não completamente colonizado da Europa seria uma grande vitória, e um incentivo importante para um movimento global contra a industrialização e o ecocídio.
O acampamento de protesto começará em 12 de julho 2008 e continuará ao longo do verão. [Começará com uma grande conferência sobre as conseqüências globais da industria pesada, que acontecerá entre os dias 7 e 8 de julho e que reunirá educadores, ativistas e afetados pela indústria do alumínio, represas etc, de diferentes partes do mundo para expor as diferentes experiências e estruturar uma resistencia local e global de maior envergadura. 2007]
Proximamente se estabelecerá o acampamento de protesto. Tratar-se-a de criar um espaço em que possam fluir todos nossos pensamentos e idéias contra a industrialização pesada de maneira criativa. Haverá oficinas, assembléias, atividades de rua, vários concertos de bandas islandesas emergentes como de outros grupos mais conhecidos mundialmente etc. À medida que nós vamos nos conhecendo e chegando mais pessoas, o acampamento irá apresentado atividades para chegar à sociedade islandesa e internacional.
Igualmente como nos acampamentos anteriores de protesto, nossos atos serão focalizados na ação direta, como o bloqueio de rodovias ou maquinaria... etc. Qualquer pessoa com este tipo de experiência será bem-vindo/a.
A localização do acampamento de protesto não será revelado até poucos dias antes do começo do mesmo. Haverá dois centros de informação em Reykjavik (Kaffi Hljómalind - Laugavegur, 21) e Egilsstadir. Haverá também um telefone de contato que será publicado logo. No acampamento a comida será vegana e se autogestionará por doações, embora será grátis para ativistas que venham de longe ou pessoas que tiveram que cruzar o mar para chegar aqui. Se estás interessado/a em participar como cozinheiro/a para grandes números de pessoas por favor entre em contato:
savingiceland@riseup.net
Para agir não se necessita algo nem ninguém, só sua própria vontade. Una-te!
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Sarah Lyall
New York Times
04/01/2007
Chaminés na neve dividem a Islândia
Nas profundezas do inverno, praticamente só se enxerga neve por aqui. No entanto, em meio às montanhas do centro da Islândia, onde o monte Karahnjukar encontra-se com dois rios que vêm de uma grande geleira, um conjunto de barragens, túneis e reservatórios começa a mudar a paisagem.
Trata-se do Projeto Hidrelétrico de Karahnjukar, um empreendimento de US$ 3 bilhões para aproveitar a energia dos rios com um único objetivo: alimentar uma nova fábrica da Alcoa, a maior produtora de alumínio do mundo. Visto de perto, o projeto domina a paisagem. Com 730 m de comprimento e 200 m de altura, a barragem é a mais alta desse tipo na Europa. O reservatório cobrirá 57 km². A energia gerada será transmitida por 50 km até a fundição de alumínio, à beira de um fiorde na cidade de Reydarfjordur.
Enquanto a Alcoa se prepara para iniciar a produção na nova fábrica no meio deste ano, o projeto motiva a mais inflamada polêmica da história recente da Islândia. Resultado de anos de esforço do governo de centro-direita para aumentar o investimento estrangeiro, o empreendimento já começa a revitalizar o despovoado leste do país. Mas também mobiliza um grupo indignado e crescente de críticos, para os quais as autoridades sacrificam o bem mais precioso da Islândia - a terra intocada - em nome da indústria pesada estrangeira.
Agora, com o estudo de planos para mais três projetos de usinas hidrelétricas e geotérmicas ao lado de fundições de alumínio, os ambientalistas afirmam que a oportunidade de proteger a espetacular e frágil beleza natural do país está sendo perdida.
“Se todos esses projetos forem aprovados, será um total apocalipse para as regiões montanhosas”, disse Olafur Pall Sigurdsson, um dos organizadores da coalizão Salvando a Islândia, que reúne grupos opostos ao aumento da exploração.
A Islândia, um dos locais mais intocados do mundo desenvolvido, tem cerca de 300 mil habitantes. Dois terços vivem na capital, Reykjavik; os demais espalham-se por 103.000 km² de rocha vulcânica, tundra sem árvores e planícies de vegetação rarefeita; 70% do território são inabitáveis.
Os islandeses tendem a tratar seu meio ambiente com respeito. O ar é tão puro que o Protocolo de Kyoto deu ao país o direito de aumentar suas emissões de gases do efeito estufa em 10% em relação aos níveis de 1990.
Ao todo, as novas fábricas de alumínio exigiriam oito vezes mais eletricidade que a usada atualmente para o consumo doméstico da Islândia, o que representaria uma enorme pressão sobre os rios e campos térmicos do país, disse Hjorleifur Guttormsson, ministro da Energia e da Indústria de 1980 a 1985. Guttormsson, um ambientalista, afirmou que a poluição é outro motivo de preocupação: as fundições de alumínio são grandes emissoras de dióxido de enxofre, fluoreto de hidrogênio e outros químicos.
Mas a Alcoa diz que equipou a nova fábrica com controles de poluição de última geração e já cumpriu sua promessa de reduzir as emissões totais de gases do efeito estufa em 25% em relação ao nível de 1990.
O ministro da Indústia e Comércio da Islândia, Jon Sigurdsson, afirmou que as propostas estão sujeitas a vários obstáculos, incluindo, em alguns casos, referendos locais. Segundo ele, o governo sempre aplicou padrões ambientais rigorosos a projetos de exploração e prepara uma lei que designará quais áreas do país deverão ser protegidas e quais têm potencial de desenvolvimento.
A Islândia é um país próspero, mas a prosperidade concentra-se em Reykjavik. O governo busca há tempos impulsionar a economia explorando o segundo maior recurso natural do país depois do peixe: a energia elétrica, derivada de uma vasta rede de rios e campos geotérmicos subterrâneos.
ALUMÍNIO
No entanto, como não é plausível exportar a energia, a idéia é importar a demanda. De certo modo, o alumínio parece uma solução perfeita. É uma indústria de energia intensiva que precisa de acesso fácil a portos, para a importação de matéria-prima e a exportação do produto acabado. A Islândia possui energia limpa e disponível, litoral extenso e a proximidade do lucrativo mercado europeu. A primeira fábrica de alumínio do país foi construída na década de 1960; hoje existem duas, ambas perto de Reykjavik.
“O governo faz tudo para abrir caminho a essas fábricas”, disse Kolbrun Halldorsdottir, parlamentar do Movimento Esquerda-Verde. “Eles são obcecados com este esquema, como a Arábia Saudita é obcecada com o petróleo. Não acreditam no empreendedorismo, nas oportunidades de trabalho em nossa cultura, no turismo. Só acreditam no alumínio.”
O projeto de Karahnjukar, planejado há anos, teve apoio do governo de coalizão de centro-direita, no poder há 12 anos. Pesquisas mostram que a maioria dos islandeses também o aprova, afirmando que ele levará emprego e dinheiro para os fiordes do leste.
GELEIRAS
Mas ambientalistas dizem que o projeto devastará cerca de 3% da massa de terra da Islândia. Eles acrescentam que a barragem de Karahnjukar é instável, por ter sido construída perto de uma das áreas vulcânicas mais voláteis do mundo. Logo ao sul, a geleira de Vatnajokull derrete rapidamente graças ao aquecimento global, o que aumenta a incerteza geológica.
“As pessoas foram enganadas. A meu ver, nem os políticos entenderam realmente o que estava acontecendo”, disse Andri Snaer Magnason, poeta, dramaturgo e romancista de 31 anos. Em 2005, Magnason publicou Dreamland, livro polêmico que põe as questões ambientais da Islândia numa perspectiva global. Foram vendidos 18 mil exemplares - o equivalente, em proporção, a 18 milhões de cópias nos Estados Unidos.

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